Como surgiu HIV e a AIDS

O ano era 1981, jovens gays na Califórnia e em Nova Iorque estavam morrendo pra uma doença chamada Sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer que afeta o sistema imunológico. Não se sabia ao certo porque este tipo de doença estava atacando uma população tão específica. Chegaram a associar ao uso de Poppers (um nitrato utilizado durante o sexo como droga recreativa), mas parecia ser algo maior acontecendo…

Oficialmente HIV / AIDS existe desde 1981, mas cientistas hoje concordam que e a epidemia existe há muito mais tempo, pelo menos desde o final da década de 30. Alguns até sugerem que é o resultado experimentos mal executados de vacinas contra a polio ou experimentos para uma guerra biológica. De qualquer forma, a provável primeira vítima de HIV é um homem no Congo. O jovem apresentou sintomas que lembravam anemia falciforme, uma doença hereditária que danifica as células do sangue. Como era uma condição comum no Congo naquela época, ninguém questionou o diagnóstico.

Os detalhes são nebulosos, mas o que se sabe é que o HIV é uma evolução do SIV (Simian Immunodeficiency Virus), a versão dos macacos. Não se sabe como os humanos acabaram contaminados, mas em várias partes da África, carne de macaco faz parte da dieta de algumas tribos, especialistas teorizam que foi assim que o vírus “pulou” para os humanos.

AIDS vai para o mundo

De volta pra 1981, o CDC (Centro de controle de Doenças) americano estava discutindo uma epidemia que estava afetando homens gays jovens. Sintomas como respiração curta, dor no peito, febre e tosse que acabavam hospitalizando os pacientes. A biópisa de cinco das vítimas confirmou um tipo raro de pneumonia. O que preocupou os especialistas é que pneumonias – principalmente dessa gravidade – só aconteciam em pessoas com sistemas imuinológicos fracos e os jovens gays que morreram não tinham nenhum histórico de outras doenças.

Outra preocupação era o fato de quase todas as vítimas serem gays, sugerindo que a doença poderia ser relacionada a comportamentos sexuais ou ser sexualmente transmissível. A comunidade gay, já fragilizada pelo estigma e preconceito agora tinha uma doença sexualmente transmissível pra chamar de sua, os jornais e a sociedade foram a loucura, tornando isso uma questão moral e chamando a AIDS de “praga gay”.

Lembra do Sarcoma de Kaposi? Ele começou a aparecer neste mesmo grupo. só em 1981 foram 41 casos, destes mais da metade morreu em 24 meses. Os médicos já começaram a fazer mais conexões entre a doença: as vitimas eram todas gays, tinham múltiplos parceiros sexuais e em alguns casos usuários de drogas. Como você pode imaginar, foi um prato cheio para que criar-se preconceitos.

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Em 1982, com mais de 600 casos e sem muita explicação, o termo AIDS (Síndrome da imunodeficiência adquirida) ganha nome. O CDC anuncia que por ser uma doença sanguínea, os bancos de sangue poderiam estar contaminados, gerando preocupação na população. Também foram diagnosticados novos casos na Africa, majoritariamente em heterossexuais, tirando em partes o estigma de que era uma doença apenas homossexual.

A descoberta do vírus do HIV

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Em 1983, Dr. Luc Montagnier, do Institut Pasteur na França, anunciou que ele e seus colegas descobriram o que aparentemente era o vírus causador da AIDS, o HIV. Um ano depois, Dr. Robert Gallo nos Estados Unidos anunciou que ele também, tinha descoberto o vírus causador da AIDS. Hoje o consenso é de que o Dr Montagnier descobriu e o Dr. Gallo comprovou a existência do vírus.

Independente dos créditos, a descoberta do vírus do HIV deu iniciou ao processo de estudo para uma possível cura. O FDA (Food and Drug Administration – órgão governamental dos Estados Unidos da América responsável pelo controle medicamentos, cosméticos, equipamentos médicos, materiais biológicos e produtos derivados do sangue humano) aprovou um teste para identificar a presença do HIV no sangue. Este foi um dos passos mais importantes da história, já que possibilitaria que as pessoas pudessem receber transfusão de sangue sem medo e serem diagnosticadas no começo da infecção.

Já em 1985, mesmo com aproximadamente $1.3 bilhões investidos anualmente em pesquisas com HIV, nenhuma cura estava a vista, muito menos uma sonhada vacina. Pra que as pessoas parassem de morrer, alguma coisa precisava ser feita. No mesmo ano o presidente dos Estados Unidos, Reagen, fechou as fronteiras para quem fosse diagnosticado como HIV positivo. O vice, George Bush, chegou a sugerir que todos fossem testados antes de entrar no País. Pior que a epidemia era o preconceito que estava sendo criado.

Com uma causa e um teste, só faltava um tratamento efetivo para o vírus do HIV

O aguardado tratamento para a AIDS

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Em 1987, o laboratório GlaxoSmithKline conseguiu aprovação do FDA pra comercializar o primeiro remédio anti-HIV. o Zidovudine, ou AZT. 20 anos antes a mesma droga tinha sido estudada para tratar câncer sem muitos resultados devido a sua toxicidade e efeitos colaterais fortes. Porém, com HIV o resultado foi promissor. Doses de 400mg precisavam ser tomadas a cada quatro horas pontualmente. Efeitos colaterais como anemia eram comuns, mas era a única droga disponível na época e dava esperança de sobrevida para soropositivos.

Embora tenha sido um grande avanço, o laboratório cobrava $7000 dólares anuais pelo medicamente. Foram anos de pressões de ativistas para que o preço baixasse, o que só aconteceu em 1989, ficando 20% mais barato.

Entre 1991 e 1994, mais drogas foram aprovadas para o tratamento do HIV: Videx, Hivid e Zerit. Em 1993 concluiu-se que utilizar mais de uma droga (o chamado coquetel) ao invés de apenas uma, aumentava a sobrevida dos pacientes consideravelmente.

Os remédios contra o HIV atacam diferentes etapas da vida do vírus, uns quando ele está se “reproduzindo”, outros quando ele vai reverter o RNA em DNA, entre outras etapas. Até 1995 só uma classe de medicamento estava disponível, a Inibidor da transcriptase reversa. Tomar remédios continuamente também não estava se provando muito eficaz, já que o HIV começava a desenvolver resistência e com essa, todas as outras drogas da mesma classe deixariam de funcionar.

Em 1995 a Roche medicamentos recebeu aprovação pra comercializar o primeiro medicamento da classe Inibidor da protease, o Saquinavir. Agora com duas classes de medicamentos era possível atingir o vírus do HIV em duas etapas da sua “vida”.

Em 1996 uma terceira classe de medicamentos surgiu, os Inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídicos (sim, eles conseguiram deixar o nome mais complicado!). A droga Nevirapine, dos laboratórios Roxanne, deixou o tratamento contra o HIV ainda mais robusto e o momento não poderia ser melhor, já que tinha sido recém descoberto que mais de 14% de todos que estavam se tratando contra HIV desenvolveram algum tipo de resistência.

O campo de frente contra o HIV estava cheio de armas e medicamentos para atacar diferentes etapas de evolução do vírus. Mas uma coisa era certa, não tinha como deter esta epidemia somente com remédios. A eficácia em frear a epidemia estava na prevenção. Foi quando se iniciaram as campanhas de camisinha – que na época já era utilizado como método contraceptivo e deu origem a campanhas especializadas a educação sobre AIDS / HIV.

Ryan White

Voltando um pouco no tempo, 1990 começou com uma desculpa pública do ex-presidente dos Estados Unidos por negligenciar HIV e AIDS durante seu mandato. Ronald Reagan mencionou durante seu discurso a história de Ryan White, que contraiu HIV através de uma transfusão de sangue tratando sua hemofilia. Sua família teve que lutar contra os diretores de sua escola, na pacata cidade de Kokomo, em Indiana, onde ele sofreu preconceito. Ninguém queria estudar com ele, as pessoas vandalizavam a casa da sua família e restaurantes jogavam fora os pratos em que ele comeu após a refeição. A família acabou mudando para outra cidade onde eles foram bem recebidos. Ryan acabou morrendo logo depois, mas sua história ficou marcada como exemplo de esperança e coragem.

A comoção com a história de Ryan fez com que o congresso americano aprovasse uma lei chamada Ryan White Care Act, que provém fundos para pesquisa e desenvolvimento da cura para o HIV, até hoje um dos financiamentos mais importantes para a doença no mundo.

Desde então mais drogas com menos efeitos colaterais surgiram, a UNAIDS (programa da ONU para ajudar nações a conter a AIDS) foi criada e recentemente o mandato do presidente Obama retirou a lei que proíbe quem é soropositivo de imigrar. Por mais que a medicina tenha avançado muito e as pessoas diagnosticadas com HIV tem uma vida relativamente normal, não deve-se menosprezar a seriedade da epidemia.

6 Comentários

  1. Gosto de estudar a origem do HIV/AIDS. Seria importante se vocês postassem arquivos oficiais em vídeos dos primeiros casos da AIDS em 1981, e década de 80.

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  2. Faz 17 anos que tenho o virus,vivo minha vida normal,faço tratamento com os coquetéis,tenho 2 filhos o casal, ele nao contraíram gracas a Deus.No começo sofri muito preconceito,mas hj nao hj sou tratada como uma pessoa normal,sou bem recebidas em todos os lugares e sou feliz,pois tenho uma família que me ama muito.

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    • Ola vc teve os filhos sabendo que tinha o virus hiv e seu esposo nao pegou o virus?

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  3. Sou estudante de enfermagem 5 semestre, e pretendo me especializar em infectologia, pois este assunto me interessa não só pela seriedade a ser tratado mais contudo me coloco no lugar das pessoas que são soropositivas e acredito que podemos sim mudar a questão do preconceito, pois o mundo já tem tantas coisas ruins e isso é uma condição que não faz de ninguém melhor nem pior, apoio e admiro as pessoas que tem a coragem de se expressar e o que eu puder fazer para acabar com esse preconceito RIDICULO eu farei, parabéns pelo blog o mundo precisa de mais pessoas com essa iniciativa.

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  4. asdsdsd

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  5. adasdasdas

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