Parceiro com carga viral indetectável não transmite HIV

A probabilidade de uma pessoa que tem HIV com carga viral indetectável transmitir o vírus para quem não tem é cientificamente equivalente a zero. Isso é o que diz o último estudo relacionado ao assunto, apresentado no 22nd International AIDS Conference (AIDS 2018) em Amsterdã.

O Estudo PARTNER teve os resultados apresentados pela primeira vez em 2014, já indicava que quem é indetectável também é intransmissível. Mas os resultados não eram completamente convincentes para gays ou sexo anal, como era para sexo vaginal. 

Resultados do estudo PARTNER 2, a segunda fase que recrutou apenas casais gays sorodiscordantes (onde um é positivo e outro é negativo) foram apresentados na conferência e os resultados indicaram que a possibilidade de contaminação é zero.

O estudo recrutou casais 14 países europeus, foram registradas mais de 76.000 relações sexuais desprotegidas. 

O que significa zero

“Zero” precisa de uma explicação clara. No primeiro estudo, o PARTNER 1, de 2014, os pesquisadores responsáveis, disseram sobre o risco que “nossa melhor estimativa, é de que é zero

Eles trabalham com intervalos de confiança, que no estudo em si foi de 95% e significava que a chance de contrair o vírus era de 0,45% para todos, 0,84% para sexo entre homens gays e 4% para sexo anal receptivo com ejaculação. 

O número 0,45% quer dizer, que se você for rodar a mesma pesquisa PARTNER 1 20 vezes, a chance de uma infecção seria de uma em cada 222 casais durante um ano. Ou uma transmissão para cada casal se eles fossem seguidos durante 222 anos. 

É importante estressar que esses podem não ser eventos reais. O intervalo de confiança é sobre “ruído”, assim como a possibilidade de falso negativos e falsos positivos. 

Sobre os estudos

PARTNER 1 foi conduzido de setembro de 2010 a maio de 2014 com 888 casais sorodiscordantes, só 337 (38%) deles eram gays. 

O PARTNER 2 foi realizado de maio de 2014 a abril de 2018 com 635 casais sorodiscordantes, todos gays.

Os participantes reportaram fazer sexo sem camisinha por pelo menos um ano antes do estudo começar. O parceiro soropositivo estava em tratamento antirretroviral há uma média de quatro anos. 10% dos parceiros sem HIV tiveram uma DST durante o estudo, enquanto 14% dos soropositivos tiveram.

Foram registrados 76.991 atos sexuais sem camisinha entre os parceiros, apenas 15 infecções de HIV fora registradas e 3/4 delas assumiram que foram relações sexuais com outros parceiros fora da relação. Além disso, foram feitos exames de genotipagem para HIV onde foi constatado que nenhuma dessas infecções foram transmitidas pelo parceiro em questão.

Em outras palavras, as infecções de HIV que aconteceram durante o estudo, foram com outros parceiros fora da relação.

Esses dados mostram que a maior probabilidade, de longe, de uma pessoa soropositiva com uma carga viral inferior a 200 cópias / ml (indetectável) possa infectar o seu parceiro é zero.

PARTNER 1 e PARTNER 2 não são os únicos estudos que exploraram a possibilidade de transmissão em casais sorodiscordantes. O  the Opposites Attract study também não encontrou contaminação entre 17.000 relações sexuais sem camisinha entre casais gays.

Fontes

Rodger A et al. Risk of HIV transmission through condomless sex in gay couples with suppressive ART: the PARTNER2 study expanded results in gay men. 22nd International AIDS Conference, Amsterdam, abstract WEAX0104LB, 2018.

Zero transmissions mean zero risk – PARTNER 2 study results announced

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