Morrem mais pessoas de acidente de carro ou HIV?

Você lembra o nome de todas as pessoas que fez sexo no último ano? Quantas foram? Por onde conheceu? Uma pesquisa que saiu na edição #150 da FS Magazine, uma revista de especializada no mundo gay do Reino Unido descobriu alguns dados relevantes sobre o comportamento dos homens ingleses.

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Embora a maioria dos homens que respondeu a pesquisa mencionaram que estão preocupados com HIV, apenas 1/3 usou camisinha na última relação. 23% sequer sabe o que carga viral indetectável significa. De forma alarmante, 44% dos homens gays que não foram diagnosticados com HIV falaram que não fariam sexo com um soropositivo.

Quem tem uma carga viral indetectável tem uma chance muito baixa de transmitir HIV, mesmo com sexo desprotegido.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 90% dos homens soropositivos fizeram sexo com camisinha em uma relação casual, comparado a 66% dos que se declararam negativos.

Já na edição #151 da revista também vemos o outro lado, 69% dos soropositivos mencionaram que foram rejeitados quando falaram que tinham HIV antes de uma relação sexual.

Eu fiz sexo seguro com um cara e ele estava preparado pra fazer sem camisinha. quando fomos para um segundo encontro e falei que tinha HIV, ele desistiu no mesmo momento. Ele estava pronto pra fazer sexo sem camisinha com alguém de sorologia desconhecida, mas não protegido com alguém que tem HIV” Um dos relatos.

Carros e HIV

Em um estudo similar, Terri D. Conley da Universidade de Michigan nos EUA, perguntou pra participantes qual seria a taxa de mortalidade caso uma pessoa viajasse de carro uma distância de aproximadamente 450km ou se fizesse sexo com uma pessoa que possui HIV uma única vez.

A resposta média foi: 71 casos de morte por HIV por 1000 habitantes e e 4 casos de morte por acidente de carro a cada 1000 habitantes. Basicamente os participantes disseram que quem fez sexo com um soropositivo tem 17 vezes mais chances de morrer do que nun acidente de carro.

De fato a estatística é completamente inversa, segundo o CDC e o United States National Highway Traffic Safety Administration (espécie de polícia rodoviária federal dos EUA) a probabilidade de morrer num acidente de carro é 20 vezes maior que através de HIV.

A pesquisadora vai além e faz um paralelo em relação ao comportamento que pais incentivam:

“Os pais celebram quando uma criança tira a habilitação pra dirigir, mas tratam sexo como tabu e não falam dos riscos associados a ele”.

Conley foi além e fez uma pesquisa similar onde comparou a transmissão de clamídia (sexualmente transmissível) e H1N1 onde eram dadas notas de moral para as pessoas que o transmitiram. A maioria dos participantes condenou o comportamento de quem transmitiu clamídia, mas não H1N1, sendo que uma pode ser tratada facilmente e o outro é potencialmente mortal respectivamente.

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As pessoas podem acreditar que caso você tenha clamídia é por causa de um comportamento promiscuo do passado [e o julgam por isso]” disse Jonathan LaTourelle, filósofo e cientista cognitivo ao The Atlantic.

Enquanto por um lado, estigma pode piorar a obesidade em algumas pessoas. Do outro existem evidências não conclusivas que pode ajudar na diminuição de fumantes. Só nos resta saber qual é a melhor maneira de lidar com isso do lado dos soropositivos, afinal já não bastasse tudo que precisamos lidar no mundo, isolamento e preconceito não ajudam.

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