Não é o fim. É um novo começo…

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Depois do diagnóstico, recente em outubro de 2018, passei pela 1ª fase: Não aceitar que eu tinha o vírus. Por isso, não quis fazer o teste rápido e pedi o exame de comprovação do laboratório. Claro, até receber o segundo exame esperava um milagre divino que fosse mentira tudo aquilo. Mas o fato é que recebi novamente a notícia validando a minha doença e invalidando a minha história.

Poderia encerrá-la aqui. Exatamente aqui. Mas não chegaria na 2ª fase: Com medo, sem informações, sem família, sem amigos, apenas as circunstâncias de como poderia ter sido e feito diferente.

Como explicar para a minha mãe? Como vou transar com alguém agora? Será que passei para alguém sem saber? E a academia que eu gosto tanto? Vou ficar magro!!! (além das várias vezes de pensar em pular da sacada do 4º andar).

Mas resolvi continuar…

Contei apenas com o apoio de um parceiro “fixo”, que me marcou com a frase “Levanta a cabeça e continua”. Porém, as promessas dele de ficar do meu lado, não duraram muito, simplesmente tive que tomar as rédeas e cuidar de todo esse vulcão de sentimentos sozinho.

A 3ª fase depende muito do seu estado mental, de como você leva a sua vida e do que você fez com ela até agora. Sempre me orgulhei da pessoa que me tornei e tudo que vivi me transformou nessa pessoa que sou hoje, e nada, absolutamente nada poderia apagar essa história.

Passando pela 4ª fase com uma imensidão de exames, inclusive de carga viral e imunidade, olhando para todas as pessoas do Centro de Tratamento, não com culpa, mas me sentindo constrangido e me perguntando se todos que estavam ali também tinham a mesma doença.

Depois veio a minha primeira consulta, na 5ª fase, carga viral baixa, imunidade boa, mas a médica entrou com a medicação e me senti mais seguro.

Agora já não importa mais a fase que me encontro. O meu reflexo no espelho não apagou nada do que construí, apenas vivo, e o vírus me ensinou a realmente viver. A minha relação com a vida, com a gratidão de poder abrir os olhos toda manhã, por todas as pessoas que já passaram pela minha história, o sexo muito mais pensado e protegido, por ter um tratamento eficaz e ter acesso a ele, por acreditar que essa linha do tempo, ela não se encerra com a descoberta do vírus, ela realmente continua, e acredite, muito melhor. Mas para isso é preciso se conhecer, se amar em primeiro lugar, pois não vou dizer que é fácil, afinal a minha referência de doença sempre foi a imagem da capa de revista do Cazuza, mas decidi não pensar nas circunstâncias e sim, da pessoa que posso me tornar e ser a partir desse ponto.

-RM

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